Intercâmbio Cristão | Avivamento de Gales


Foto: Jadyla Cesario - Capela Moriah

Wales, o País de Gales

Demorei muito para escrever esse texto. De todos os lugares que visitei Gales foi com certeza o mais marcante, por sua história e também por ser terra de um avivamento que transformou uma nação. 

Foi impactante ver como era o país na época do avivamento e como foi transformado por ele. Ver famílias e pessoas totalmente improváveis sendo rendidas, entender mudanças que testificaram o avivamento e visitar a capela Moriah  local onde tudo começou — foi realmente especial. Aqui pretendo abordar da forma mais fiel e sensível possível o que pude ver da história desse país, desde as minas de carvão até seus dias de avivamento.

As Minas de Carvão

O País de Gales foi um dos fortes centros de mineração de carvão. De um lado vemos uma nação que crescia e marcava seu território na indústria e, do outro, uma época marcada por condições de trabalho impensáveis e grandes tragédias, como o desastre de Aberfan.

Crescer nesse ambiente de risco era parte da realidade de grande parte do país. As crianças, ainda pequenas, eram recrutadas para trabalhos que requeriam maior delicadeza e menor estatura. Passar por buracos extensos com apenas 1 metro de altura e sem nenhuma iluminação era comum, parte do dia a dia de cada uma delas. Segundo o guia que nos acompanhou durante nossa passagem no museu South Wales Miners Museum, ocorriam cerca de 40 mortes por dia dentre todas as minas de carvão. Gás, incêndios, sufocamento.

Foi nesse contexto que nasceu e viveu um dos maiores avivalistas de seu tempo e dos tempos atuais, Evan Roberts.

Foto: Jadyla Cesario - South Wales Miners Museum

Foto: Jadyla Cesario - South Wales Miners Museum

Evan Roberts


Evan Roberts foi um jovem que, assim como a maioria dos jovens de seu país, cresceu nas profundas minas de carvão, seguindo os passos de seu pai. Roberts, ainda novo, era responsável por abrir e fechar a passagem para os mineradores dentro das minas, um serviço considerado perigoso. Certo dia, uma explosão aconteceu na mina em que trabalhava e por pouco não causou sua morte, seus pertences e local foram queimados, e com elas sua bíblia também foi parcialmente danificada. 

A história conta que Roberts comumente levava sua bíblia solo abaixo, constantemente lia e, ainda em sua adolescência, clamava por mais de Deus sobre seu país. Quando encontrou sua bíblia após o incidente ela estava aberta em 2 Crônicas 6, um clamor de Salomão a Deus por arrependimento. Esse tópico foi marcante durante esse período avivalístico.

Passado esse acontecimento não demorou muito para que Evan começasse a realizar reuniões de clamor por arrependimento e confissão de Jesus. Em 1904, em uma pequena reunião de jovens liderada por Joseph Jenkins, teve início o período que conhecemos como Avivamento de Gales.

É comum que associemos o avivamento a Evan — que de fato foi o nome mais presente no quesito de liderança e organização —, mas um fato interessante, e que me chamou a atenção, é que Roberts não era um grande pregador, com grande oratória e habilidade no pregar. Ainda assim ele foi grandemente usado por Deus por sua disposição, amor e obediência.

O Avivamento de Gales

Alguns outros acontecimentos rodeiam o início do avivamento de Gales mas, entende-se como a primeira ocorrência, ponto inicial, a pequena reunião com cerca de dezoito jovens que aconteceu em 1904, na capela Moriah, na qual o Senhor operou grandemente através do arrependimento e confissão pública de Jesus. A partir dali o avivamento começou a desenrolar-se e virar notícia não apenas no país, mas no mundo. Evan tinha 26 anos.

Os relatos dos cultos são lindos. Eram pessoas que se moviam e adoravam como um só corpo, "como o movimento de um campo de trigo na brisa", reafirmou Joseph Rogues de Fursac, um médico francês ateu que ao ouvir sobre os acontecimentos foi até o país, se dedicou a estudar o avivamento de Gales e fez relatos surpreendentes, como o citado anteriormente, os quais resultaram em um livro.

O foco era muito claro: arrependimento, confissão de pecados e ouvir ao Espírito Santo. Pessoas se levantavam, confessavam seus pecados e oravam de forma espontânea em todos os cultos. As reuniões constantemente reafirmavam estes 4 pontos:

  1. Confissão dos pecados;
  2. Remoção daquilo que gera dúvidas;
  3. Obediência ao Espírito Santo;
  4. Confessar Jesus.
Mas além disso, as reuniões eram marcadas pela adoração. O povo galês foi marcado por cânticos e louvores a Deus em cultos intermináveis. Homens que trabalhavam nas minas de carvão iam para os cultos ao terminar seus expedientes, viravam noites. As reuniões não tinham horário para acabar.
Dobra-me, Senhor.

A marcante oração de Evan revela o anseio de Roberts por mais de Deus, por arrependimento, por ser moldado, dobrado pelo Senhor, abandonar tudo aquilo que o afasta de Deus e ser mudado pela sua presença. 

O mover foi tanto que jornais da época retrataram acontecimentos um tanto quanto curiosos: cavalos pararam de obedecer seus donos que agora já não gritavam mais; jogos de rugby, esporte extremamente popular no país, foram cancelados;  delegacias foram fechadas. O mover de Deus se instaurou naquele país como nunca visto antes.

O avivamento se extendeu até meados de 1905, quando por motivos de discordância entre pastores e da saúde de Evan Roberts, o mover foi se dissipando.

Minha visita à Moriah Chapel

Foto: Jadyla Cesario - Capela Moriah

Estive no País de Gales especialmente para conhecer a capela Moriah, local onde tudo começou. Lá conheci David Pipe, cuja avó esteve presente nas reuniões de Evan. Atualmente ele é um dos responsáveis por repassar as histórias do avivamento, e acredite, o que foi relatado aqui não chega a um décimo de toda história que nos foi contada. E que história maravilhosa.

Foto: Jadyla Cesario - Foto com David Pipe após ministração

David nos contou durante as horas que estivemos ali vários detalhes do que acontecera justamente naquele lugar, é difícil explicar o quão impactante foi isso. No final de toda explicação um grupo de indianos cristãos que também estava no local se juntou a nós em adoração. Eram três idiomas diferentes adorando e se rendendo ao mesmo Deus, algo que nunca vou esquecer.

Assim como o Angelo Bazzo, que nos acompanhou na viagem, pontuou para nós, é muito semelhante a Jacó desentulhando os poços de Abrãao. Ali era terra fértil, seio de um avivamento que alcançou cerca de 100 mil pessoas, e lá estávamos nós clamando "faz de novo, Senhor!". 

Reviver esses dias através de fotos é maravilhoso, mas nunca vou me esquecer da grande presença de Deus naquele lugar, da adoração, das lágrimas derramadas e profecias feitas. A melhor parte de tudo isso é saber que Deus é o mesmo ontem, hoje e para sempre. Ele continua sendo o Deus que aviva o seu povo.

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